quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Promessas feitas. E agora?


   Os três candidatos a prefeito de Lajeado encerram a série de debates promovidos pelo jornal A Hora nas eleições 2012. Luis Fernando Schmidt (PT), Marcelo Caumo (PP) e Juliana Baiocco (PV) expõem suas propostas hoje à tarde.
   O ciclo de promessas chega ao fim com um resultado excitante. Salvo exceções para discursos evasivos e laudatórios, a maioria dos concorrentes foi específica e se comprometeu com as prioridades eloquentes em seus municípios. Túneis, asfaltamentos e melhoria do transporte coletivo se destacam entre os projetos viários. Estações de tratamento de esgoto, rigidez na fiscalização e ordenamento de novos loteamentos são alternativas para diminuir o estado caótico e a falta de investimentos em saneamento básico. Mais postos de saúde, mais escolas, mais casas, distritos industriais e qualificação da mão de obra. Enfim, um “caminhão” de promessas capazes de mudar a realidade de nossas sociedades.
   A tudo isso, se acrescenta a jura de que as prefeituras não serão cabides de emprego e nem salas de apadrinhamento de familiares e/ou parentes. Garantem zelo com o dinheiro público. Está aí, portanto, uma expectativa de gestões adequadas. Prometido está. E agora?
   Quando definimos reunir os candidatos em debate no A Hora, objetivamos a exposição de ideias e o comprometimento dos candidatos com as mazelas da região. Este conteúdo fica arquivado e será retomado durante os próximos quatro anos. Seremos fiscais e guardiões, ao lado da população, das promessas assumidas durante estes três meses de campanha.    Afinal, o histórico nos deixa escaldados. No meio político promessa não é sinônimo de obra, portanto, atenção eleitores!

Prefeito enfrenta os vereadores


   A gastança nas câmaras de vereadores e na assembleia legislativa do estado beira o descaso. O desrespeito com que tratam o dinheiro público, amontoando assessores e laranjas foi repudiado em sucessivas pesquisas de opinião pública. No Vale do Taquari, vereadores tentaram – alguns conseguiram – duplicar subsídios, aumentar numero de cadeiras e ainda contratar mais assessores. Ufa!
   Faço a ressalva inicial para enaltecer o discurso do prefeito de Encantado, Paulo Costi (PP), no debate entre os três candidatos à majoritária, promovido pelas associações empresarias da cidade na semana passada. Sem meias palavras abriu fogo contra o excesso de gastos dos vereadores – sem excluir os de seu partido. “Quando vimos que 7% (do orçamento municipal) vai para aquilo que foi, se considera mau uso do dinheiro público.   Se indignação é brigar com a câmara eu continuo indignado. Nosso compromisso é chegar no máximo a 4%”, afirma Costi. Essa foi a primeira vez que este colunista ouviu (em público) de um candidato a prefeito um discurso claro de enfrentamento aos excessos de gastos que sucedem-se nas câmaras de vereadores. De um modo geral, a diplomacia exagerada prevalece entre os poderes Executivo e Legislativo e mantém a torneira da gastança aberta. Ou será por que a maioria não terá telhado de vidro no executivo quando se trata de gastança?

CCs e assessores em campanha


   A rigidez do Ministério Público e da Justiça Eleitoral não intimida muitos servidores, sobretudo cargos comissionados e assessores parlamentares. É comum encontrar profissionais das prefeituras e câmaras fazendo campanha eleitoral em horário em que deveriam estar cumprindo suas funções pelas quais recebem o dinheiro público.
Além de imoral é ilegal e pode levar o candidato a cassação, a exemplo do que houve em    Canudos do Vale, com o prefeito Cléo Lemes (PP). Detalhe: quando a imprensa flagra essas irregularidades e estampa nas páginas de jornal, nas telas de TV e nos microfones de rádio é acusada de perseguidora e tendenciosa.
   É melhor abrir o olho e separar o “joio do trigo” do que ser flagrado distribuindo “santinhos”, fazendo serviço eleitoral e, pasmem, até dar entrevista sobre a campanha em horário de expediente na repartição pública. O amadorismo e a descarada sem-vergonhice podem custar a eleição.

Interesses mudam as opiniões


   O tema a seguir não é novo. Mas sua recorrência é necessária à medida que incoerências e mudanças de opiniões num curto espaço de tempo se sucedem. Refiro-me a candidatos ou militantes que há poucos meses estavam em lados iguais e hoje dividem palanques. Criticam ações que em outrora aplaudiram. Em abril o jornalista e professor da ESPM, Eugênio Bucci, escreveu na Revista Época que no Brasil não se sabe mais quem é esquerda ou direita. “Os políticos de direita evaporaram. Como fantasmas à luz do sol, como a neblina e as miragens, simplesmente sumiram no ar… Hoje, a gente olha, olha de novo, esfrega os olhos e... Mas o que é isso? Não ficou ninguém? Como saci-pererê, a direita no Brasil é algo em que se crê, mas não se vê. Todos são esquerda e ao mesmo tempo direita.” Uso a citação de Bucci por resumir a realidade que presenciamos na política local. Em todos – sim, em todos – os municípios da região partidos e candidatos trocam de lado e de palanque a todo momento. O que era certo ontem agora está errado. Em meio a essa volátil opinião política está o eleitor.    É dele a missão de interpretar e, pior que isso, tentar entender os bastidores de cada situação. Todos os partidos têm bons e maus candidatos. Mas quanto mais se troca mais marginalizadas ficam as siglas partidárias. A esquerda e direita visível em anos passados não existe mais. E isso, como diz Bucci, “só os espíritos saberão explicar”.

Trabalho à Justiça Eleitoral


   As previsões de que o pleito eleitoral deste ano seria marcado pelo embate nos tribunais se confirmam. A cada semana aparecem, no Ministério Público, pedidos de impugnações e acusações a candidatos da região, sobretudo da majoritária. Além de tentar cassar candidaturas, a ideia é manchar as fichas dos opositores e conquistar a opinião pública a partir desses fatos. A maior rigidez da Justiça em fiscalizar e punir candidatos e eleitores que se valham de ilicitudes e barganhas para conquistar ou vender, respectivamente, seus votos, alertam os concorrentes. Nota-se que partidos montam verdadeiras blitzes para acompanhar passo-a-passo seus adversários na expectativa de flagrar irregularidades e informar o MP. Nas duas últimas semanas de campanha – teoricamente as mais agressivas e tumultuadas – novas acusações surgirão na Justiça. Para o bem da democracia, os candidatos devem “andar na linha”. Do contrário, o risco de aparecer pedido de impugnação e cassação é grande, pois os “plantões” estão de olho.

Amadurecimento político

   Seria audacioso e prematuro aliar esta rigidez judicial e fiscalização mútua entre os candidatos a um amadurecimento político. Até pode ser, mas de forma bem embrionária.    Nossa recente democracia – que tem apenas 24 anos – ainda impede uma politização mais ampla da sociedade. Antes de democratizar o pleito, a maioria dos candidatos tenta se valer da legislação rigorosa para derrubar seu adversário. Essas nuances se sobrepõem às ideias de coletividade. Há coligações mais preocupadas em denunciar seus opositores do que conquistar o voto a partir de propostas arrojadas. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Em meio a discursos surgem propostas


   A superficialidade das propostas de governo da maioria dos candidatos a prefeito da região é liquidante. Carecemos de planos que atendam às múltiplas mazelas da sociedade, que não se resumem aos atendimentos básicos na educação, saúde, assistência social, etc. Aliás, essas são obrigações de qualquer administração pública: aplicar o dinheiro na qualidade de vida das pessoas. Nem sempre é assim, infelizmente.
   Os debates promovidos por veículos de comunicação de todo o Vale e esporadicamente algum comício menos festivo expõem, mesmo com a enrolação costumeira, propostas otimistas. Direciono esse comentário para promessas – que SE implementadas – são capazes de mudar a realidade em todas as cidades. Os eleitores as observam atentos e ansiosos.
   Nos embates com os concorrentes ao cargo máximo de cada município, promovidos pelo jornal A Hora, o eleitor encontra, em meio a discursos evasivos e laudatórios, ideias concretas. Atenho-me, por exemplo, a pavimentações no interior de algumas cidades e ao compromisso que boa parte assume em investir em saneamento básico. Nesta última área, é visível a inexistência de um plano concluído, o que reafirma os poucos investimentos direcionados neste setor nos últimos anos.
   Mesmo assim – e graças às exigências do governo federal – boa parte se compromete em construir estações de tratamento de esgoto, criar políticas mais enérgicas para liberação de novos loteamentos e edificações e conscientizar sobre a limpeza dos mananciais hídricos. Pelo discurso, acordaram da sonolência e inércia. De janeiro em diante veremos sua solidez.
   A exposição de ideias concretas e o debate objetivo sobre propostas de governo e não de interesses individuais e/ou partidários foram o intuito do A Hora ao convocar os candidatos.     Constroem-se documentos individuais de cada município, capazes de nortear jornalistas, administradores e sobretudo, os eleitores. Afinal, é passada hora de termos uma sociedade mais politizada.