sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O SUS está na UTI

O SUS é ineficaz. A cada dia, novos descasos escancaram a fragilidade de um sistema que falha há tempo. O mais recente e bombástico, com repercussão nacional, é o drama da mãe Elisiane San Martins, de Santa Vitória do Palmar, que percorreu 530 quilômetros, “mendigando” por atendimento numa UTI neonatal para dar à luz seus filhos gêmeos, que nasceram prematuros.
Esta mazela enfrentada por Elisiane estampa o dia a dia de milhares de gaúchos. Agendar consultas por meio do SUS é o prenúncio de uma peregrinação. Realizar cirurgias eletivas ou de média e alta complexidade é quase utópico. Muitos ficam pelo caminho. 
No Vale do Taquari, o SUS reduziu em 59 o número de leitos nos hospitais nos últimos cinco anos. A situação vai de encontro ao aumento populacional, que clama por mais. Na página 8 da edição de hoje, matéria confirma a carência regional. Em Lajeado, por exemplo, 704 pacientes aguardam por cirurgia eletiva (mais comum). O problema é que o Hospital Bruno Born (HBB) só realiza no máximo 22 por mês. Para atender a demanda – sem surgir novos casos – seriam necessários 2 anos e oito meses.
Tamanha fragilidade do sistema fez os vereadores de Lajeado quererem repassar R$ 1 milhão da câmara para os atendimentos eletivos. Louvável a iniciativa, mesmo que possa indicar uma clara promoção pessoal. Afinal, as eleições serão em 2012. Mais que isso, abre precedentes. Outros lajeadenses baterão à porta dos vereadores pedindo dinheiro, independentemente da área.
Corroborado o descaso público em relação aos atendimentos do SUS, piora-se a situação a medida que o problema é “varrido para debaixo dos tapetes”. Anunciam-se apenas ações paliativas. Enquanto o estado e a União não assumirem suas responsabilidades de atender a população, o povo terá de se contentar com a “boa vontade” dos líderes municipais. 

Água na fogueira

Em Teutônia, a comunidade está mobilizada a cobrar a duplicação da ERS-128, conhecida por Via Láctea. Acidentes fatais se acumulam a cada ano e atestam a coerência da reivindicação.
Audiência Pública em agosto foi o primeiro ato oficial. Na semana passada, foi oficializada a comissão que lidera o pleito. O vice-prefeito Ariberto Magedanz é o presidente.
Contudo, informação do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer) adia o sonho dos teutonienses. A obra está fora dos planos do governo estadual. Ela é preterida por acessos asfálticos e duplicação de rodovias com maior fluxo. Mais do que isso, avisa que a execução da obra poderá demorar mais do que cinco anos devido aos trâmites burocráticos necessários.
Diante da negativa inicial, a construção de rótulas, melhor sinalização e a instalação de lombadas eletrônicas passa a ser prioridade.

O Enem da polêmica

Desde que existe, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dá problemas. O acúmulo de polêmicas fez o processo cair no descrédito. Virou bagunça. Ontem, dois dias após a aplicação dos testes, veio à tona um suposto vazamento do conteúdo das provas, numa escola particular de Fortaleza - CE.
Criado em 1998, o exame ganhou importância nos últimos anos ao se tornar pré-requisito para os interessados em bolsas de estudo do Programa Universidade para Todos (ProUni). Se fortaleceu mais em 2009, quando passou a substituir o vestibular de boa parte das instituições públicas de Ensino Superior.
Este ano, cerca de 4 milhões de candidatos fizeram o Enem no fim de semana, em 14 mil locais de 1,6 mil cidades de todo o país.
O Ministério da Educação (MEC) já admitiu o vazamento. O Ministério Público Federal pedirá anulação do exame de 2011.  Estamos na iminência de repetir o fracasso de 2009 e 2010, quando gabaritos das provas foram roubados e houve erros comprometedores na impressão, respectivamente. 
Dessa forma, dificulta-se a aceitação de que o exame substituirá o vestibular de forma efetiva. Antes de qualquer coisa, é preciso recuperar o crédito.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Quase metade dos municípios brasileiros não tem rede de esgoto


O IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicou ontem resultado de pesquisa, realizada em 2008, onde mostra que 44,8% dos municípios brasileiros não tem rede de tratamento de esgoto.
Os índices são péssimos. Ainda assim, melhores do que no levantamento anterior, realizado no ano de 2000.
O quadro abaixo mostra a região sul entre as piores do país. No Vale do Taquari, campanhas publicitárias e cobranças dos meios de comunicação têm sido insuficientes para despertar os poderes públicos.
Em boa parte dos municípios da região, casos expõem a inexistência mínima de saneamento básico, como banheiros adequados e acesso a água potável, por exemplo. Esgoto tratado muito menos.
Já houveram evoluções, mas há um caminho longo a percorrer, começando pela criação de políticas públicas adequadas. Projetos sustentáveis que não tenham objetivo eleitoreiro e que possam desenvolver as cidades com mais solidez.
Um passo importante dão as administrações que exigem investimentos da Corsan. Por longos anos, a estatal se omitiu da responsabilidade e levou o dinheiro dos municípios. Está na hora de transformar estas arrecadações de décadas, em obras.

A campanha começou


O período eleitoral desperta. Na redação do A Hora, nas últimas semanas, já se acumulam publicações de administrações municipais “prestando contas” à população. Revistas, panfletos e livros são distribuídos nas comunidades.
Numa atitude jurássica escancaram a autopromoção. A ânsia de convencer os leva a atos panfletários. Confundem prestar contas à sociedade com publicidade enganosa.
Está visão distorcida do fazer político conduz a uma ausência cada vez maior da razão na esfera pública. E pior, enfraquece a democracia que não sobrevive sem a adesão das pessoas às suas regras. Poderá um cidadão tratado como tutelado fazer parte de um universo do qual está sendo alijado pelos seus próprios representantes.

Baixaria – Vereadores mantêm o nível


"Se continuarem a ignorar o fenômeno contemporâneo e tentarem convencer o eleitorado se valendo de demagogias e discursos inflamados, estes políticos clássicos estarão dando um tiro no pé."

A política no vale pede uma reflexão mais aprofundada. Nesta semana, permanecemos no mesmo diapasão. Quem aguardava pelo desenvolvimento de uma nova cena pública, mudança de mentalidade, de costumes e de postura dos nossos atores políticos, colheu frustração. O teor do debate parlamentar de nossos "ilustres edis"  é a propagação exaustiva de picuinhas e de interesses pessoais defendidos com falso ardor republicano.  Recebem belos subsídios e proferem discursos vazios. O país mudou. Os políticos continuam os mesmos. O povo agora tem acesso a informação e passa a exigir honestidade no trato da coisa pública. Os políticos arcaicos ignoram o clamor das ruas e tratam o público como privado, e deles. Agem como se houvera feudos patrimonialistas incrustados no Vale. Cegos, surdos e mudos, esquecem que representam 70 mil lajeadenses e outros tantos no entorno.
Desta feita nomearemos os autores. Questão de justiça. Lembremos, todavia, que outrora, outros já cometeram deslizes criticáveis. O embate entre Rui Reinke (Adriel), Paulo Tóri e Círio Schneider foi descabido.
Demonstraram desconhecimento do regimento e partiram para a baixaria. O pugilato que se avizinhava foi impedido pela interrupção providencial, que permitiu a volta da normalidade.  Na retomada, a vereadora Eloede Conzatti apelou à razão. Criticou o comportamento dos colegas e o classificou como vergonhoso e infame.
Há tempo fala-se da desqualificação dos políticos brasileiros. Haja vista a débâcle da Europa e dos Estados Unidos, este despreparo é global. É verdade que temos hoje uma maior publicização dos atos oficiais, que chegam de forma mais transparente à esfera pública. O direito a esta transparência que é devido legalmente a opinião pública é garantido por uma imprensa livre e atenta. Dá-se assim o controle  aos mal intencionados. 
De volta a realidade provincial. Terça-feira plenário vazio. "Tudo como dantes no quartel de Abrantes". Leia-se "quartel de Abrantes" significando a maioria das casas legislativas do Vale do Taquari. A participação popular nas câmaras também é inexpressiva. O povo deixou de pensar que os negócios públicos lhe dizem respeito? Terá se tornado uma massa apolítica identificada só com a subcultura? Se omite por desilusão, ou por alienação? Cabe aos homens públicos sérios fazerem o diagnóstico e ofertarem o remédio. 
A proximidade das eleições é o momento de engendrar respostas criativas e estas perguntas em lugar da criação de slogans. A mera luta por interesses particulares deve se subordinar a uma lógica coletiva que estipula uma outra ordem, a da ética. Se continuarem a ignorar o fenômeno contemporâneo e tentarem convencer o eleitorado se valendo de demagogias e discursos inflamados, estes políticos clássicos estarão dando um tiro no pé.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Começa um novo ciclo no radiojornalismo do Vale


O  Grupo Independente anuncia hoje a compra da rádio Alto Taquari de Estrela. A emissora é a mais antiga da região, com 63 anos. Desde 1948, opera pelas ondas da AM 820.
A negociação ocorre há cerca de um ano, quando o proprietário e ex-deputado federal Nelson Proença – que administra uma rede de rádios no estado – manifestou interesse em vender a emissora para investir na área da Construção Civil e mercado financeiro. Outros grupos de comunicação estadual, como a Gazeta de Santa Cruz do Sul, queriam comprá-la.
Nas últimas décadas, a Alto Taquari enfraqueceu. O faturamento, que beirou R$ 100 mil em épocas de “ouro”, se resume a menos da metade. Idem com o número de funcionários, que chegou a 30 e hoje tem cinco.
Mesmo vendida, sua história é inabalável. Passaram pelos microfones da 820, ícones do jornalismo gaúcho como Sérgio Zambiazi, natural de Encantado e que começou sua carreira de comunicador em Estrela. Alexandre Garcia, da Rede Globo, é outro exemplo.
A programação será reformulada. Renato Worm, com mais de 30 anos de experiência na área, deverá coordenar o projeto. O envolvimento comunitário com apelo popular será o mote principal da rádio, que se chamará “Rádio do Vale AM 850”.

 A atuação oficial deverá começar em dezembro ou janeiro. Antes disso, parte da programação será transmitida simultaneamente na Independente AM e Alto Taquari.
Os funcionários da rádio estrelense permanecerão. Entre eles, Lauro Schmitt, que está na emissora há 41 anos e é a referência deste veículo de comunicação.
O valor da transação ficou em torno de R$ 1,5 milhão.

Protestos contra a corrupção


Mobilizados por meio das redes sociais na internet, protestos contra a corrupção brasileira se fortalecem. Ontem, a exemplo do que ocorreu no feriado do dia 7 de setembro, milhares de jovens foram as ruas.
A impunidade e a escancarada roubalheira nas esferas públicas do país são reprimidas nos manifestos, ainda limitados às capitais.
O acúmulo de escândalos envolvendo governantes aumenta a indignação popular. A cada semana, novos casos repercutem nos meios de comunicação. Mostrar a indignação e impaciência com as falcatruas despertam o povo a não consentir. Pelo contrário, é preciso reprimir. Em 2012, o povo terá a oportunidade de reforçar este desprezo. O voto é a maior arma do eleitor. 

Paradigma cultural


A disputa de “beleza” entre as cidades de Lajeado e Estrela – que se mantém até hoje – ocasionou a criação da Rádio Independente, em 1951. Na época, empresários lajeadenses estavam incomodados por Estrela ter rádio e Lajeado não. Seis décadas depois, a história trata de unir “criatura e criadora”.
A junção dos dois veículos de comunicação abre um novo ciclo no radiojornalismo regional. Quebra o paradigma conflituoso e a Independente passa a centralizar a força do rádio no Vale do Taquari.
Quem sabe, o começo desta nova etapa desperta administradores públicos e privados de que as águas do Rio Taquari não impedem trabalho coletivo em busca do desenvolvimento das duas cidades. O povo sairia ganhando.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Hora de Teutonia


A Hora é um jornal em evolução. O processo de reestruturação da redação, iniciado há pouco mais de dois anos, se consolida. Somos reconhecidos pela ética, rigor na apuração dos fatos, independência editorial e pela credibilidade com que fazemos notícia e tratamos o leitor.
Em julho de 2012, o jornal completa dez anos. Até lá, ampliaremos nossa área de atuação para todos os municípios do Vale.
A partir deste mês oficializamos nossa circulação em Teutônia e cidades adjacentes – Colinas, Imigrante, Westfália, Paverama e Poço das Antas.
Será a segunda sucursal do A Hora. A outra está em Encantado, desde 2010. A forma de fazer jornal, empregada na região onde já atua será o norte dos jornalistas que atenderão a nova microrregião.
Teutonia se caracteriza pela colonização germânica. Aposta no turismo receptivo e desperta os municípios vizinhos, que caminham na mesma direção.
Na economia, o destaque é o agronegócio. Fortaleceu a indústria à partir de investimentos no meio rural. Profissionalizou a cadeia produtiva e virou exemplo em inovação tecnológica e sucessão familiar.
Aas carências e as potencialidade da microrregião de Teutonia passam a enriquecer o conteúdo editorial do A Hora.
O jornal cada vez mais completo e abrangente, sem perder o compromisso com a informação de qualidade e o respeito a seu maior motivo de existir: o leitor.

Sem explicação

É deplorável o estado em que ficam as duas principais áreas de lazer a cada fim de semana, em Lajeado. A foto do colega Rodrigo Dias, retrata com precisão o descaso, a falta de vergonha e em especial, de educação de alguns usuários irresponsáveis.

As lixeiras instaladas pela Univates são ignoradas e o lixo se espalha pela rua Avelino Tallini e entre as árvores e bancos existentes no local.
O assunto foi capa do A Hora de terça-feira. Reforçamos o protesto para despertar indignação na sociedade e quem, sabe, conscientização de quem se acha no direito de cometer essa aberração.


Recebi este e-mail de um leitor:



Bom dia, Fernando
Tive o privilégio de ir à NY onde, apesar de circularem centenas de milhares de pessoas por dia, inclusive turistas de todas as partes do mundo, não encontrar nenhum papel no chão. 
Sobre bebidas, é expressamente proibido consumir bebidas alcoólica nas ruas, sob risco de ir para a cadeia. Se transportar em veículo, somente com a garrafa fechada e na caixa, sob pena de cadeia. 
Bom, como a lei brasileira não funciona, cabe aos meios de comunicação e a determinados órgão públicos a divulgação de campanhas de conscientização.

Bom trabalho.
Abraço,Glauco.

Fórmula 1

Está em ritmo de fórmula 1, a corrida dos partidos em busca de novos filiados e candidatos. Amanhã, estamos há exatos 365  dias das eleições municipais.
Em Santa Clara do Sul Valdir Konig (PMDB) volta ao governo Kohlrausch e assume a Secretaria da Agricultura. Desistiu de concorrer a vereança em Venâncio Aires e será candidato na cidade das flores.
Em Lajeado, 15 entidades do município receberam, coincidentemente, dinheiro da câmara de vereadores, há um ano das eleições. Na última sessão ordinária, a oposição reclamou que não pôde participar da discussão. Diante das manifestações do vereador Delmar Portz (PSDB) ficou visível o interesse dos legisladores: voto. Pena que a população é usada dessa forma para receber o que lhe é direito adquirido.