Surpreende a enorme especulação e tentativas de persuasão vazias que cercam o mercado imobiliário da região. Bolha, endividamento, saturação populacional e outros são propagados aos quatro ventos sem fundamentação e consistência.
Percebe-se nos últimos anos, um crescimento singular na construção civil. Não é maior por que faltam funcionários para citar um dos motivos. Construtoras recorrem aos haitianos para conseguir corresponder ao serviço e entregar os imóveis dentro dos prazos estipulados. A maioria está vendida ou alugada. Só Lajeado recebe cerca de mil pessoas por ano. Todos precisam comprar ou alugar casa. Portanto, há demanda. Paralelo a isso, há a velha e conhecida insuficiência hoteleira no Vale do Taquari. Criam-se expectativas e se tenta convencer de que investir em hotéis é o único negócio rentável e seguro no setor imobiliário atual. Essa disputa de mercado abre uma “guerra” local entre investidores de hotéis contra donos de imobiliárias e construtores. Uma briga que não contribui para o desenvolvimento regional. Antes de anunciar ou falar em saturação no mercado, vivemos uma saturação de especulações e projeções infundadas, sem estatísticas nem comparações com outros períodos. Profissionalizar este setor é urgente.
Aliás Nessa direção, o jornal A Hora começa um levantamento completo sobre tudo que envolve a construção civil e o mercado imobiliário para informar a quantidade de ofertas de casas, apartamentos e salas comerciais para venda e aluguel. Ao mesmo tempo, a quantidade insuficiente de leitos nos hotéis e as perspectivas que se abrem com os recentes lançamentos. Informar a sociedade é fundamental em meio a esse “tiroteio” de hipóteses e argumentos evasivos que muito mais confundem do que esclarecem.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
TUDO está na gráfica
A construção de um jornal é uma obra coletiva. Depende da dedicação e do comprometimento dos profissionais, que aliam seu conhecimento a um imensurável interesse de cumprir o papel jornalístico: informar. As vaidades, egocentrismos e a autossuficiência, peculiares dos jornalistas, precisam dar lugar a um propósito maior. Esta é a última coluna que publico antes da circulação do Caderno TUDO, um anuário do A Hora desde 2010, que chega em suas mãos na próxima terça-feira.
Todos os setores da empresa, sobretudo a Redação, Comercial e o Departamento de Artes, trabalharam com afinco nos últimos três meses, para chegar ontem, às 18h47min e entregar cem páginas à gráfica de Zero Hora. Com as três edições do A Hora produzidas toda a semana, concluímos um caderno que desnuda as mazelas e potenciais do Vale do Taquari. Aponta erros e acertos de uma região promissora, mas menor do que poderia ser.
Um conteúdo que vai além da notícia factual e entra num campo analítico, conceitual. O destaque da edição de 2012 é o alimento, principal referência econômica do Vale do Taquari. Tema merecedor da interferência de quem almeja o desenvolvimento ordenado da região. Liderado pelo agronegócio (leite, suínos e aves) o setor alimentício amplia sua relevância à medida que agrega e fortalece segmentos, como cerveja artesanal, fruticultura, doces e hortigranjeiros.
Ressalto o trabalho de toda equipe por construir cem páginas, na certeza de que o maior beneficiado será o leitor, motivo singular de nossa existência. Enalteço a consonância entre redação e setor comercial, onde o divisor de águas foi a responsabilidade e o rigor profissional, permitindo que a única interferência fosse exigida pela ética.
Construir um caderno como o TUDO é um desafio permanente para o A Hora. O sentimento de dever cumprido ao entregar as páginas à gráfica é confortante, mas aumenta o compromisso de estar sempre à altura da confiança a nós conferida e garantir uma implacável busca da verdade factual.
Jornalismo é um instrumento de pensar a realidade. A Hora o faz do Vale para o Vale. A flecha do anuário TUDO aponta para uma evolução imprescindível da sociedade regional e para potencializar suas capacidades. A radiografia completa estará encartada nos sete mil exemplares dos assinantes do A Hora na terça-feira e outros cinco mil serão distribuídos em locais estratégicos, principalmente na Expovale, que se inicia amanhã.
Aos colegas antecipo agradecimentos pelo empenho e desmedido tempo para manter a mesma qualidade das primeiras às ultimas páginas. Aos anunciantes a confiança e visão empreendedora ao investir num produto que mostra o Vale para o estado, com força editorial e credibilidade indispensável. Aos leitores, a satisfação em compartilharmos a partir desta terça-feira, mais um material pensado e construído com o tamanho da riqueza e dos anseios dessa terra.
Tudo está na gráfica e, na terça-feira, em suas mãos.
Protagonistas de fiascos. Mais um
Os vereadores de Lajeado protagonizaram, nessa terça-feira, momentos vexatórios e de total contrassenso à função que lhes foi confiada pela sociedade. O desequilíbrio dos parlamentares interrompeu a reunião por duas vezes, tamanha era a gritaria e desrespeito entre eles. A falta de decoro parlamentar, que levou a cassação, em 2010, do vereador Flávio Bruch (PP) de Marques de Souza parece esquecida. Ele classificou um secretário municipal de “chifrudo” e foi cassado meses depois. Em Lajeado, os “elogios” foram mais comedidos, mas a leviandade e a inópia de provas nas acusações pessoais desferidas na reunião opõem-se ao regimento interno. Mais do que isso, fere e macula a reputação da casa legislativa, tão relevante à sociedade quando conduzida democrática e eficazmente. Pena que nos últimos anos, os cargos e os salários na câmara e no Executivo motivaram os maiores embates, mesmo numa cidade com tantas deficiências e urgências. Depois ainda reclamam quando a imprensa e a sociedade criticam.
Aliás
O mês de novembro prevê uma disputa acalorada na votação da Lei Orçamentária Anual para 2013. O mote é o percentual de livre movimentação a ser concedido ao prefeito Luis Fernando Schmidt (PT). O governo atual mandou à câmara o projeto com os mesmos 10% solicitados no ano passado, mas reduzidos a 2% pela oposição, que agora assume a administração municipal. Resta saber se a justificativa dos vereadores, de que prefeito não pode ter tanta autonomia, foi apenas “politiqueira” ou de fato, condiz com o interesse Legislativo em participar mais das ações da administração. Os primeiros argumentos dos vereadores que baixaram o percentual no ano passado estão mudando. Agora defendem que reduziram porque foi ano eleitoral e que agora se inicia um novo ciclo. Os próximos 30 dias respondem o quanto coerentes são os vereadores em suas decisões.
Aliás
O mês de novembro prevê uma disputa acalorada na votação da Lei Orçamentária Anual para 2013. O mote é o percentual de livre movimentação a ser concedido ao prefeito Luis Fernando Schmidt (PT). O governo atual mandou à câmara o projeto com os mesmos 10% solicitados no ano passado, mas reduzidos a 2% pela oposição, que agora assume a administração municipal. Resta saber se a justificativa dos vereadores, de que prefeito não pode ter tanta autonomia, foi apenas “politiqueira” ou de fato, condiz com o interesse Legislativo em participar mais das ações da administração. Os primeiros argumentos dos vereadores que baixaram o percentual no ano passado estão mudando. Agora defendem que reduziram porque foi ano eleitoral e que agora se inicia um novo ciclo. Os próximos 30 dias respondem o quanto coerentes são os vereadores em suas decisões.
Representatividade reduz a zero
A força política do Vale do Taquari no estado e país está “capenga” nos últimos anos e piorará em 2013. Luis Fernando Schmidt (PT) elegeu-se prefeito de Lajeado e sai da Assembleia Legislativa em dezembro, onde estava como deputado estadual. Ontem, em entrevista a Rádio Independente, o deputado Federal Enio Bacci (PDT) anunciou a possibilidade de assumir a Secretaria da Segurança de Porto Alegre a partir do próximo ano. Dessa forma, a região perderia seus dois deputados e reduziria para zero a representatividade na assembleia gaúcha e na câmara de Brasília. Retrocesso para a região.
TUDO e muito mais
As publicações especiais são aposta do jornal A Hora. Temas relevantes e prioritários para o Vale do Taquari ganham espaço nos cadernos relacionados ao agronegócio, construção civil e arquitetura, ambiente, saúde e moda. Desde 2010, publica o anuário TUDO, que apresenta um raio X da região, elencando carências e potenciais. A terceira edição está em produção e será veiculada durante a Expovale. Serão cem páginas impressas em papel refinado. A capacidade produtiva de alimentos, o drama da insuficiência de mão de obra, os pífios investimentos em saneamento básico, os baixos índices da educação, os problemas na saúde, o avanço do crack e a disseminação da insegurança, as carências na infraestrutura e as possibilidades da Copa para o turismo regional são os temas no caderno deste ano.
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As alegações da Administração Municipal de Lajeado em pedir 7% do orçamento total de livre movimentação para a prefeita são nebulosas. A pouco menos de dois meses de sua saída, Carmem Regina solicita em torno de R$ 6 milhões para investir em obras e ações não projetadas no orçamento deste ano. Quer ter autonomia para aplicar onde for necessário sem passar pela câmara de vereadores.
Pavimentação de ruas, auxílio à Expovale e pagamento da área da futura Escola Técnica Federal seriam os principais destinos. Estranha-se, por outro lado, a maneira como se sucedeu a tentativa. A opção natural nestes casos é o remanejamento de valores entre as secretarias. Exemplo: retira da Secretaria de Obras e direciona para a Secretaria da Fazenda. Depois, de forma transparente, submete aos vereadores. Por que não foi assim de praxe? Outra pergunta: como e onde queriam aplicar esse montante, considerando o pouco tempo de governo? A falta de resposta a essas questões foi o principal motivo da oposição em reprovar o projeto – mesmo que nos corredores se fale em compra de voto de um ou outro vereador para aprovar a matéria. Se houve, é mais um ingrediente para aumentar o cheiro de tramoia. Diante dessas dúvidas, foi plausível a atitude dos vereadores em reprovar o projeto e cobrar mais transparência do Executivo em suas ações.
Em tempo
O vereador Antonio Scheffer (PTB) mudou de opinião e votou a favor do projeto, diferentemente do que havia feito em 2011, quando a oposição reduziu de 10% para 2% a livre movimentação da prefeita. Depois do “sim” ao Executivo e a atual bancada situacionista atendeu telefonema de empresário lajeadense e, falando seu nome, num alto tom de voz, emendou: “... quem votou contra foi o vereador do seu partido e não eu”.
Pavimentação de ruas, auxílio à Expovale e pagamento da área da futura Escola Técnica Federal seriam os principais destinos. Estranha-se, por outro lado, a maneira como se sucedeu a tentativa. A opção natural nestes casos é o remanejamento de valores entre as secretarias. Exemplo: retira da Secretaria de Obras e direciona para a Secretaria da Fazenda. Depois, de forma transparente, submete aos vereadores. Por que não foi assim de praxe? Outra pergunta: como e onde queriam aplicar esse montante, considerando o pouco tempo de governo? A falta de resposta a essas questões foi o principal motivo da oposição em reprovar o projeto – mesmo que nos corredores se fale em compra de voto de um ou outro vereador para aprovar a matéria. Se houve, é mais um ingrediente para aumentar o cheiro de tramoia. Diante dessas dúvidas, foi plausível a atitude dos vereadores em reprovar o projeto e cobrar mais transparência do Executivo em suas ações.
Em tempo
O vereador Antonio Scheffer (PTB) mudou de opinião e votou a favor do projeto, diferentemente do que havia feito em 2011, quando a oposição reduziu de 10% para 2% a livre movimentação da prefeita. Depois do “sim” ao Executivo e a atual bancada situacionista atendeu telefonema de empresário lajeadense e, falando seu nome, num alto tom de voz, emendou: “... quem votou contra foi o vereador do seu partido e não eu”.
Cúmplices por omissão
O Observatório Social existe para fiscalizar as ações públicas, interferir em desmandos e irregularidades administrativas. Em Lajeado, foi criado em agosto desse ano, com a ideia de prevenir falcatruas e orientar sobre o uso adequado do dinheiro público. Seu desempenho depende de voluntários. Na largada, há três meses, mais de 20 entidades participaram e se entusiasmaram com a ideia da cidade ter um defensor da sociedade. Bastaram três meses para as reuniões do Observatório se resumir há meia dúzia de partícipes e ameaçar, não só as ações da entidade, mas sua relevante existência. No encontro de ontem, ficou visível o desamparo para implantar ideias e projetos de conscientização popular. Nova reunião foi agendada para esta segunda-feira, às 7h30, para definir as ações do dia internacional anticorrupção, que ocorre dia 9 de dezembro. A presença de mais líderes empresarias e classistas é fundamental para consolidar a instituição a partir deste primeiro evento que apontará os desvios, irregularidades e deslizes já descobertas e não solucionadas na região. É uma forma de despertar a sociedade, tentar envergonhar os corruptos e gerar uma cultura que valoriza o comportamento ético. Não podemos ser cumplices da omissão.
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